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Instituto de Química é premiado pela quinta vez como Unidade Destaque na Proteção à Propriedade Intelectual

 
Colaboração e multidisciplinaridade que propagam a Cultura da Propriedade Intelectual
Instituto de Química é premiado pela quinta vez como Unidade Destaque na Proteção à Propriedade Intelectual
 
Texto: Thais Oliveira | Fotos: Pedro Amatuzzi
 
Um corpo docente habituado a trabalhar em parceria, não só com outros setores da Universidade, mas também com os melhores centros de pesquisa do mundo. A colaboração natural é um dos principais ingredientes para tornar o Instituto de Química da Unicamp (IQ) referência não somente por sua produção científica, mas também por sua forte cultura de proteção à propriedade intelectual. O IQ recebe, em 2021, o título de Unidade Destaque na Proteção à Propriedade Intelectual pela quinta vez em treze anos de Prêmio Inventores.
 
Mesmo em meio à pandemia, docentes do IQ estiveram envolvidos em 20 dos 64 depósitos de patentes da Unicamp em 2020, bem como em 24 das 110 patentes concedidas à Universidade pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Ao todo, a comunidade do IQ esteve envolvido em 419 patentes desde 1997, sendo que atualmente 279 estão vigentes, ou seja, foram concedidas ou aguardam pelo exame do INPI.
 
De acordo com o diretor do IQ, professor Marco Zezzi, colaboração e multidisciplinaridade ocorrem de forma natural no IQ, contribuindo para o ciclo positivo de inventividade. “Nossa tradição é baseada na diversidade de pesquisas realizadas e na competência do corpo docente. A premiação nos mostra que estamos no caminho certo”, comemora Zezzi. A colaboração interna – entre docentes, pesquisadores e funcionários do IQ –, no apoio ao ensino, pesquisa e extensão também é celebrada pelo diretor como um dos diferenciais da Unidade que a alavancam em resultados em prol da inovação.
 
 
Prof. Marco Zezzi, diretor do Instituto de Química
 
A parceria com a Agência de Inovação Inova Unicamp para a proteção dos resultados da pesquisa é de longa data. Zezzi compreende o suporte dado pela Inova como essencial. “O apoio administrativo e o conhecimento em propriedade intelectual e transferência de tecnologias trazidos pela Inova estimulam o corpo docente a ver o potencial de patenteabilidade nos resultados de sua pesquisa de forma mais rápida”, avalia.
 
Além deste apoio, o Prof. Wdeson Pereira Barros, Coordenador de Extensão do IQ, falou sobre o pioneirismo da Universidade na regulamentação e nas políticas públicas em inovação que também colaboram para o ecossistema de inovação na Unicamp. “A própria Política de Inovação da Unicamp, aprovada em 2019, fornece conhecimento importante para os docentes e pesquisadores. Nós esperamos que, no passar dos anos, tanto a Política, quanto a Bolsa de Estímulo à Inovação proporcionem um aumento no número de depósitos e que estes possam chegar à sociedade por meio de soluções e produtos”, comentou.
 
Na vanguarda da pesquisa para enfrentamento da pandemia
Entre as 19 patentes depositadas, em 2020, envolvendo docentes do IQ, pelo menos duas tratavam de tecnologias voltadas ao enfrentamento da crise do coronavírus. Zezzi explica que o Instituto de Química deu todo o apoio aos docentes que se engajaram em pesquisas com foco na covid-19, proporcionando que atuassem de maneira excepcional, com a abertura dos laboratórios, por exemplo. 
 
Uma das patentes geradas neste contexto é um biossensor portátil capaz de identificar a presença do coronavírus, desenvolvido pelo professor William Reis de Araújo em parceria com a Universidade da Pensilvânia (UPenn) dos EUA. A tecnologia é capaz de identificar o vírus na superfície do biossensor, com a utilização de uma enzima humana que se entra em contato com uma amostra de vírus, bloqueia os eletrodos do sensor e dificulta a passagem de corrente elétrica. Dessa forma, quando há presença do vírus, a luz no biossensor não acende e quando não há, se tem uma reação mais fácil de acontecer e a luz acende. O tempo para a reação eletroquímica e o resultado é de dois minutos.
 
Araújo conta que o desenvolvimento da pesquisa começou no início da pandemia e o trabalho já desempenhado com biossensores foi adaptado para a criação de um dispositivo de testagem mais acessível. “A nossa ideia é identificar diretamente o vírus e não anticorpos. Nesse caso, por alguns estudos, notamos que no segundo, terceiro dia de infecção já existe uma carga viral em que podemos identificar o vírus. Por isso acreditamos que a tecnologia tem um diferencial: identificação mais rápida e custo menor”, explicou o professor.
 
Foram realizados cerca de 400 testagens no hospital da UPenn, para amostrar taxas de acerto, falsos positivos e negativos. O professor comenta que os testes são essenciais porque mostram o valor comercial da tecnologia para empresas interessadas no licenciamento. Além de os próprios pesquisadores também precisarem dos dados, já que cogitam a criação de uma startup a partir da patente.
 
Sobre a parceria com outras instituições, o professor comentou que é bastante comum e muito benéfica porque amplia o campo de atuação e visibilidade da pesquisa, apesar de essa ser também um desafio por conta das diferenças de como se trabalhar. Para ele, somente pesquisas multidisciplinares proporcionam o desenvolvimento de novos produtos.
 
O professor conta que desde janeiro de 2021, dois alunos da Unicamp foram para os EUA trabalhar na pesquisa. No momento, o foco do projeto se expande para outros diagnósticos e a criação de um protótipo que detecta o vírus pela cor.
 
Spray e nanopartículas
Outra patente depositada com foco no combate à covid-19 trata de um composto contra o vírus que pode ser aplicado na forma de sprays e em filtros para máscaras de tecido, sendo de baixo custo e sustentável. Com um pH igual ao fisiológico, o composto pode também ser usado para enxaguante bucal, spray para nariz ou colírio.
 
De acordo com uma das inventoras, professora Ljubica Tasic, do IQ, a ideia nasceu porque o grupo de pesquisa multidisciplinar em que faz parte já tinha uma década de pesquisa sobre aplicação e síntese de nanopartículas biogênicas. Já era notória a propriedade antibactericida, portanto foi analisada também sua propriedade virucida. 
 
Além do IQ, o desenvolvimento da patente foi realizado com a parceria de pesquisadores do Instituto de Biologia (IB) e do Centro de Componentes Semicondutores (CCS). A inventora Raluca Savu, do CCS, comentou que só “foi possível desenvolver a tecnologia de forma rápida porque já havia uma base tecnológica que foi implementada à competência e trabalho árduo dos docentes e pesquisadores envolvidos”.
 
Para a diretora de Propriedade Intelectual da Inova Unicamp, Raquel Moutinho Barbosa, duas características chave do IQ são essenciais para o ciclo de inovação: a colaboração nas pesquisas e a cultura da Propriedade Intelectual. Para ela, a colaboração entre diversos setores tecnológicos proporciona alcançar maiores resultados. Já a cultura da propriedade intelectual aproxima a Universidade do setor empresarial. Portanto, “quando se sabe que a unidade tem a cultura de criação de patente, é mais fácil colaborar com o objetivo da inovação e do impacto tecnológico e social”, aponta Barbosa.